quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Danado inconveniente



Quem já assistiu a peça "É nós na fita" provavelmente já ouviu o título deste post, porém, não me refiro ao 'prego entalado até o talo' mencionado no espetáculo, mas a um sujeito que trabalha em um estabelecimento comercial localizado no caminho do ponto de ônibus. Este cidadão chega cedo todos os dias, é eleito o funcionário do mês e com certeza daria um ótimo jornalista do bairro.

Para o meu azar, todos os dias ele me para pra conversar baboseiras, contar 'babados' de gente velha que morreu (já vai tarde, Matusalém!) e desabafar seus desenrolos sentimentais. Eu já ouvi do divórcio, da reconciliação, do outro divórcio, do novo namoro, do término, etc...



E eu sou um tipo de pessoa que não consigo demonstrar que a pessoa está sendo inconveniente me fazendo chegar (mais) atrasada ao trabalho pra ouvir coisas inúteis. Eu queria ter coragem de falar na cara o "Não, cacete", ou simplesmente um "se manca, tu é um saco, rapaz...não to afim de ouvir essas porcarias".

Mas não, simplesmente, eu passo em frente ao estabelecimento de cabeça baixa, olhando pro relógio, juro que até fingi falar no celular...e quando escuto um "Hey, psiuu...", finjo correr pra pegar o ônibus. É um papel ridículo, eu sei, mas como não vou dar um chá de "semancol" pro sujeito, é melhor eu me conformar a 'fugir' dos papos (intermináveis) da criatura.

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