terça-feira, 30 de março de 2010

Prosa matinal fúnebre

Desde que o trânsito se normalizou no centro de Niterói, eu consigo chegar na hora, e melhor ainda, pegar o ônibus com ar condicionado. Hoje, para a minha sorte, ele estava vazio. Mas foi enchendo no caminho. No banco atrás de mim, sentaram duas mulheres estilo 'nems'e começaram um papo nada adequado para uma manhã de terça-feira.


"-Minina, cê soube quem morreu?? Fulano!"
"-Ahh mintira, cê tá brincano comigo! Eu vi fulano sábado na missa..."
"-Num viu não, ele morreu de sexta pra sábado! Cê tá confundindo, Jubilângela! (nome fictício)"
"-Sábado eu 'vi ele' na missa, cê tá me confundindo. Tenho certeza que vi ele lá!"
"-Como cê viu se ele tava morto, todo mundo foi no enterro dele à tarde!?!?!"

"-Mas eu falei com Maricreuza (nome fictício) no domingo e ela num disse nada."


A outra já perdendo a paciência..."-Jubilângela! O cara morreu sexta, tá enterrado, não tem como mudar isso!"
"-....Hum, tá! É, agora me lembrei, sábado eu fui embora mas cedo! (...) Ele fumava muito né??"
"-Num é, minina?! Disseram que ele morreu porque parou de fumar...."
"-Não, ele fumava ainda. Eu lembro dele fumando no sábado mesmo..."


(...)

3 comentários:

Menina disse...

Adorei o texto, Carol. Muito criativo. E se for fictício, chega a ser absurdo. hahaha.

Menina disse...

E se NÃO for fictício. (Correção)

Caroline Rodrigues disse...

Muito obrigada!! Não, não é fictício!! Por incrível que pareça...haha