domingo, 20 de setembro de 2015

"Pois"

Já tentei iniciar esta postagem diversas vezes, em todas elas eu penso em resumir a minha mudança pra Lisboa, como decidi, o que tive de fazer... então me dá preguiça e paro. Quem sabe uma outra vez escrevo sobre tudo isso, Mas agora, quero falar sobre o privilégio da vida.







Todos os dia passamos por lugares lindos, onde pessoas param para admirar, fotografar e refletir na vida. Me pego pensando sobre o que realmente sentem estas pessoas. As legendas das fotos nunca conseguirão traduzir o que realmente sentimos ao contemplarmos uma paisagem, um monumento ou simplesmente pessoas quando as olhamos pela primeira vez.

Então deixei aqui algumas imagens, apenas para que olhem e contemplem, Óbvio, também é impossível olhar na foto do mesmo jeito que pessoalmente, mas é o jeito.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

O Chiclete da Cabeceira

    
    É curioso como planejamos toda uma vida e de repente, tudo muda no que parece ser uma fração se segundos. A ordem natural da vida é que os filhos mais velhos se casem, em seguida os mais novos, depois vêm os netos, etc. Mas não foi bem assim. Com o casamento marcado para o mesmo dia que o casamento do meu irmão (seria uma linda festa tripla, 3 casais em dois salões enormes), joguei tudo pro ar e mudei meu rumo. Se eu tinha certeza do que fazia? Não mesmo. Mas hoje, ah...hoje tudo faz sentido! 

 

    Mas o assunto deste post é não é a minha mudança de rumo e sim, um Chiclete na cabeceira. Desde que me entendo por gente o meu irmão é um ser implicante e cheio de manias irritantes, como todo bom irmão mais novo deve ser. Uma das manias que ele tinha era de dormir à tarde com um chiclete na boca e quando se dava conta disso, ele colava o chiclete na cabeceira da cama. 

    Este mês ele faz um ano de casado e o último Chiclete da Cabeceira permanece intacto, ninguém tem coragem de tirar. Alguns vão dizer que é loucura, outros julgar a sustentabilidade. Mas não importa, este é o seu lugar.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Não se faz mais 'amor' como antigamente...


    Esta semana almocei com a minha prima em um restaurante no Centro do Rio e enquanto conversávamos, um senhor com seus 70 e poucos anos nos interrompe e fala à moça ao nosso lado:

-"Com licença, desculpe incomodar. Eu estou aqui com a minha esposa, ela está no 2º ano de Alzheimer e eu preciso ir ao banheiro. Podem vigiá-la por um instante, por favor?"



    A partir desse momento os dois velhinhos com seus 70 e poucos anos ganharam a minha total atenção. Ela comia quietinha enquanto aguardava o retorno do seu esposo. Quando voltou à mesa, o senhor nos agradeceu e se voltou para a esposa com todo um carinho e amor que é extremamente raro hoje em dia. Ao se levantarem, ela o seguiu para a saída, mas antes se virou pra nós, sorriu e mostrou a língua para ele, em seguida lhe deu a mão. Sorrimos.

    Muitos entendem que "expressar o amor" é ter liberdade para se relacionar com quem quiser e no momento em que achar propício, mas naquela tarde de inverno eu assisti de perto uma demonstração pura de amor verdadeiro, um amor que não desiste do outro, não importa a circunstância.

Em um mundo onde pessoas são cada vez mais descartáveis e egoístas, duas pessoas desconhecidas me fizeram repensar e retomar pra mim uma porção de esperança no amor humano. 

sábado, 20 de junho de 2015

Conceitos líquidos


     

   Já faz muito tempo que não posto nada aqui. Nossa, como as coisas mudam! Fico relendo meus posts daqui e vendo como a mente humana é traiçoeira e como os conceitos são, na verdade, mais líquidos do que o refrigerante responsável pela herança de celulites que arrecadamos ao longo dos anos.
        Cada fase em que passamos na vida, temos a sensação de que "vencemos" uma etapa, cheguei à conclusão de que essa é uma tremenda e falsa sensação de estabilidade. Nada é concreto de verdade. Terminamos uma faculdade e arrumamos um emprego, somos promovidos e ufa, somos considerados 'bem resolvidos' na vida. Oras, isso não existe.
        Há alguns meses eu estive lendo alguns artigos sobre a ascensão da geração Y com relação à anterior, ou seja, como 'evoluímos' profissionalmente com relação aos nossos pais. Obviamente esta não é uma regra geral, existe uma grande parcela desta geração que veio continuar um legado profissional, mas não é dela que estou falando aqui. Nesses artigos houve uma questão em comum:"O quanto vale se trabalhar e estudar e fazer por merecer o esforço dos pais para, no fim, ver seus filhos sendo criados por avós e seu tempo para desfrutar dos frutos financeiros do trabalho cada vez mais reduzido?" Ou seja, trabalhamos para sermos 'melhores' e darmos orgulho para os nossos pais, mas perdemos os primeiros passos de nossos filhos, a primeira palavra, a primeira ida ao banheiro, entre outras coisas que tivemos com nossos pais, mesmo que em condições consideradas financeiramente inferiores. Onde está o valor em tudo isso?
       Olho para a situação política e financeira do país e me questiono sobre esse status ser ou não relacionado à essa geração que cria um foco, mas não pensa. Temos facilidades de pensar e pesquisar sobre política, mas é um assunto 'chato'. Nossas opiniões são moldadas com o nosso meio. Nada de errado nisso, muito menos em mudar de opinião, pelo contrário, cada vez mais eu admiro pessoas que o fazem. O mundo é feito de conceitos líquidos e mutáveis. Oremos para que ao menos alguns dos princípios éticos e morais se mantenham pelo máximo de tempo possível...